Atualmente,
a cirurgia mais utilizada no Brasil e nos EUA é o Bypass,
uma redução do estômago por meio de grampeamento. Divide-se
a cavidade estomacal em duas partes, deixando um espaço menor
(20 a 30 ml), por onde o alimento irá transitar.
Esta técnica está substituindo a cirurgia de Capella que,
além da redução, introduz um anel no estômago, o que aumenta
a possibilidade de problemas futuros e rejeição (veja no quadro
abaixo). Por outro lado, o médico
Walter Pires, do Centro Brasiliense de Cirurgia e Endoscopia, sustenta que a banda
gástrica (uma prótese de silicone ajustável colocada em volta
do estômago, em forma de anel, que o aperta e reduz sua capacidade
e pode ser retirada a qualquer momento) tem sido o método
mais divulgado nos congressos internacionais.
"Não há complicações, mortalidade, ela é reversível e
ajustável", explica o médico. Para ele, deve ser a primeira
alternativa, já que os riscos são bastante inferiores ao do
Bypass. A escolha do método, entretanto, se dá por um consenso
da equipe médica com a aceitação ou não final do paciente
após as devidas explicações sobre os procedimentos disponíveis.
Quem gosta muito de doces ou é beliscador, por exemplo, geralmente
não se dá bem com a banda gástrica porque os alimentos pastosos
deslizam sem dificuldade pelo anel e a pessoa engorda. Quem
tem um comportamento compulsivo também não se adapta
com a banda e tem dificuldades com a técnica de Capella, pois
a restrição de volume lhe causa grande desconforto e vômitos
freqüentes. Quem é comedor de carboidratos tem mais resultados
com as cirurgias disabsortivas (parte do estômago é retirada).
Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 1,5 milhão de brasileiros
sofrem de obesidade mórbida, ou seja, possuem o Índice de
Massa Corpórea (IMC) acima de 40, número obtido por meio da
divisão do peso pela altura ao quadrado. O Brasil segue de
perto o exemplo dos Estados Unidos, o país do fast-food, acompanhando
uma tendência mundial. Mais de 60% da população americana
é obesa, e 7% são obesos mórbidos. Além da rede pública, os
planos de saúde cobrem as cirurgias bariátricas. É obrigatória
para os contratos assinados a partir de janeiro de 1999 e
anteriores à Lei 9.656/98, segundo a Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS).
Exames
são essenciais
Mas antes de
definir qual o tipo de cirurgia deve ser adotada, é preciso
fazer uma bateria de exames. No último dia 7, a estudante
Giovanna Salgueiro Soares Pereira, 20 anos, de Belém (PA),
deu à luz uma menina em pleno vôo, sem saber que estava
grávida. A jovem havia passado por uma cirurgia de redução
de estômago dois meses antes e os médicos achavam que ela
estava inchada em decorrência de um problema pós-operatório.
Por isso, uma gravidez nem foi cogitada.
Desta vez,
apesar do susto, tudo correu bem. No entanto, quando se trata
de uma cirurgia tão arriscada, quanto a bariátrica, contar
apenas com a sorte pode ser demasiadamente perigoso. A coreógrafa
e ex-bailarina Norma Lilia, 62 anos, passou por difíceis momentos
devido a um erro na avaliação dos exames por parte do médico
que a operou, há cerca de cinco anos. Norma sempre tinha sido
muito magra, mas depois do terceiro filho teve um desequilíbrio
hormonal que a levou a acumular o dobro do seu peso normal,
60 quilos.
Sujeitou-se
a uma bateria de exames que foram mal analisados pelo médico.
"O que era para ter sido feito em uma semana acabou virando
dois meses de internação. Fiquei à beira da morte", diz.
O erro foi comprovado posteriormente por outros profissionais.
Foram meses de luta e quase R$ 50 mil gastos. Mesmo traumatizada
com hospitais, ficou satisfeita com o resultado. "Olho
no espelho e vejo a mesma Norma que dançava, com 33 anos",
conta. Hoje em dia, com 59 quilos distribuídos em 1,63m, leva
uma vida normal e, apesar dos problemas que enfrentou, não
está arrependida. "Voltei a ser o que era, danço, dou aula, agacho e rolo
no chão", comemora.
Psicológico
Além dos exames, o condicionamento psicológico é de
extrema importância. Quem está acostumado a ingerir alimentos
em grandes quantidades deve adaptar-se, aos poucos, a novos
hábitos. Roberto Lúcio (nome fictício), há oito meses começou
a preparação para a cirurgia. Durante esse período, perdeu
18 quilos, dos quase 175 quilos que a balança marcava.
Ele conta que
o acompanhamento médico está sendo fundamental e que aprendeu
muitas coisas que alteraram sua relação com as pessoas e com
o próprio corpo. "Estou aprendendo a comer de maneira
saudável, com frutas e verduras incluídas no cardápio, mastigando
bem e me alimentando a cada três horas, hábitos nunca antes
utilizados".
Segundo o médico
cirurgião Isaías Neto, do Hospital Santa Lúcia, uma equipe
composta por psicólogos, nutricionistas, endocrinologistas
é necessária para realizar a cirurgia. Também são feitos vários
exames que avaliam a saúde do paciente. "Há pacientes
que chegam querendo operar no dia seguinte à primeira consulta.
Mas não se pode ter pressa nesse momento. Os exames e controle
de doenças, como pressão alta e diabetes, devem ser feitos
antes", afirma.